Estréia hoje, nos cinemas de todo o país, o filme Intrigas de Estado (State of Play), do diretor Kevin Macdonald. Há tempos Hollywood não produz uma trama tão envolvente quanto a deste filme, que é o primeiro de Macdonald. A história contada é baseada no seriado inglês, de 2003, que recebe o mesmo título. A obra chama atenção porque o personagem principal, o jornalista Cal McAffrey, vivido pelo grande ator Russel Crowe, se envolve na apuração de assassinatos que, aparentemente, não têm nada em comum, e com o desenrolar dos fatos, ele se vê diante de questões éticas e pessoas.
Tudo isso porque um dos assassinatos envolve Sonia Baker (Maria Thayer), a qual é amante e integrante do grupo de campanha do político Stephen Collins, representado pelo renomado Ben Affleck, que por sua vez é um velho amigo de Cal MacAffrey. Mais um caso envolvendo jornalismo e política, mas ao contrário do que se possa pensar, a abordagem principal que o filme traz é outra.
Juntamente com a jornalista inexperiente e responsável pelo jornal online, Della Frye, vivida pela talentosa Rachel McAdams, Cal McAffrey não deixa passar nenhum detalhe, por mais indiferente que pareça, e dá uma grande lição que é a de sempre ir atrás da verdade e fazer questão de descobrir o que realmente aconteceu. Diferentemente da editora de redação do jornal The Washington Globe, Cameron Lynne (Helena Mirren), a qual só parece se importar com a quantidade de vendas que o jornal iria proporcionar — fato que acontece em muitos jornais mundo a fora, diga-se de passagem.
Juntos, os jornalistas embarcam em uma história cada vez mais intrigante, onde arriscam até as próprias vidas a fim de descobrir a verdade que está por trás dos assassinatos que ocorreram na cidade de Washington DC e a relação com grandes instituições estadunidenses, deixando a trama mais envolvente para quem assiste.
Della Frye (Rachel McAdams) e Cal McAffrey (Russel Crowe)
O uso de tecnologias para desvendar os mistérios é comum em boa parte do filme. Geralmente, os artifícios utilizados pelos dois repórteres para coletar as informações necessárias e desvendar o quebra-cabeça são bem inteligentes. No filme, McAffrey tem acesso a vários formatos de mídia para atingir o objetivo, como, por exemplo, o celular utilizado pela vítima, além de conseguir imagens do circuito interno de TV de uma estação de trem da cidade e também com a ajuda da internet para identificar pessoas e lugares que ajudassem a desvendar os crimes. Tudo isso e mais a ajuda de diversos contatos que o jornalista possuía.
Por falar em internet, se o espectador desejar, ele pode sair do cinema refletindo a respeito da qualidade das notícias que se encontra, hoje em dia, nos portais de notícias online. Vale a pena prestar atenção na grande diferença que o filme faz questão de retratar. O jornalismo da web está cada vez mais rápido, é verdade, mas também mais superficial e com muitas “notícias” que a gente pode chamar de inúteis ou sensacionalistas. Cadê a tão importante apuração que se vê mais constantemente no jornalismo impresso?
Stephen Collins (Ben Affleck) e Cal McAffrey (Russel Crowe)
A história não é apenas uma matéria rotineira de jornalismo investigativo ou sobre política. Ao longo da história, McAffrey e Frye vão entendendo que tudo é cada vez mais complexo do que imaginavam e que ter uma posição ética dentro do jornalismo, seja online ou impresso, é muito mais do que uma obrigação.
O filme é cheio de reflexões, suspense, reviravoltas e ações. Além disso, quem for ao cinema vai assistir a uma bela produção, com direito a roteiro, feito por Tony Gilroy e Matthew Michael Carnahan, bem amarrado e uma fotografia incrível. É uma história surpreendente, que consegue envolver os espectadores do começo ao final do filme. O ingresso valerá a pena. Com certeza, este suspense será manchete.
Você pode conferir o trailer clicando AQUI ou pode assistir aí embaixo! (:


